Como healthtechs podem auxiliar na jornada do paciente

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Uma maçã por dia, e não há que pagar ao médico, diz o ditado. Ainda assim, a saúde não pode ficar em segundo plano – e a pandemia da Covid-19 reforçou essa ideia. Aliás, medidas restritivas não impediram acompanhamento médico em diversos casos, tanto é que, segundo um levantamento referente a abril de 2020 em comparação com o mesmo período de 2021, da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), quase 2,8 milhões de pessoas foram atendidas por meio de telemedicina em nosso país ­(um aumento de 14,4% em um ano). Essa evolução só foi possível graças a novas tecnologias.

Entretanto, sabe aquela história de que "em casa de ferreiro o espeto é de pau"? Por incrível que pareça, uma área tão beneficiada pelo desenvolvimento de aparatos de ponta não estava preparada para as novas demandas virtuais. O setor ainda está em fase de digitalização, engatinhando quando o assunto é adoção de softwares e ecossistemas diversos.

Isso porque instituições encontraram dificuldades, como:

  • dependência de ferramentas estrangeiras;
  • identificação de oportunidades;
  • ausência de recursos e investimentos;
  • adaptação aos processos de inovação.

"A digitalização do setor de saúde do país ainda é incipiente e esparsa. Mesmo dentro da cidade de São Paulo, por exemplo, onde existem clínicas que não têm sistemas informatizados. Existem hospitais que ainda operam com prontuários e receitas de papel, às vezes, na frente de outros que usam inteligência artificial e em plena transformação digital", exemplificou Thiago Julio, Diretor de Estratégias Médicas da Memed e ex-líder do Cubo Health, hub de saúde do Cubo Itaú em parceria com a Dasa, maior rede de saúde integrada do Brasil.

Complicado? Sim, mas as healthtechs estão dispostas a eliminar o "calcanhar de Aquiles" de suas parceiras. Em 2021, segundo levantamento realizado pela plataforma Sling Hub, startups de saúde brasileiras captaram US$ 344,3 milhões de dólares em investimentos (329% a mais em relação a 2020). O número de empresas do tipo também teve um crescimento assombroso: se eram 542 no ano passado, neste chegaram a 1.158, destaca o estudo.

Vale lembrar que healthtechs não cuidam somente do bem-estar das organizações. Afinal, se o paciente vem em primeiro lugar em qualquer situação que envolva a saúde, deve ser, também, prioridade de quem quer que com ele se relacione.


Organizações de saúde carecem – e muito – de sistemas e softwares adequados. (Fonte: National Cancer Institute/Unsplash/Reprodução)

Saúde precisa de digitalização

Quando healthtechs entram em cena, operações internas de hospitais e clínicas de saúde se tornam mais eficientes, simplificam o dia a dia de quem procura por atendimento e, é claro, reduzem custos associados às ações. 

Essas startups focadas em saúde oferecem soluções que podem parecer básicas em outros setores. O modelo é bastante recorrente em lugares como a Europa, os Estados Unidos e alguns países asiáticos, mas mal distribuído em outras partes do mundo. No Brasil, de acordo com Thiago, as soluções das healthtechs ainda são pouco difundidas – o que significa que há ótimas oportunidades de mercado.

"O setor em geral precisa de digitalização. Precisa de ferramentas básicas, softwares básicos, elementos que são essenciais para o funcionamento de uma clínica digital. Falando de sistemas médicos, são exemplos um prontuário eletrônico, um sistema de prescrição digital, um sistema de telemedicina. Mas, ao mesmo tempo, também precisa de novas ferramentas digitais, focadas em no relacionamento com o paciente, na jornada do paciente", cita o especialista, que não deixa de ressaltar a importância da interoperabilidade dos recursos.

De nada adianta uma plataforma "tinindo" se ela não permite o compartilhamento do histórico das pessoas. Inclusive, quando o faz, tira das mãos de pacientes a responsabilidade de gerenciar documentos essenciais ao diagnóstico e a novas abordagens – facilitando ainda mais o atendimento. 

Por isso, mais do que apenas chegar com "a faca e o queijo na mão", players precisam saber de onde vieram e para onde vão, além de se atentarem a estratégias que atendam a todos os agentes que possibilitam o desenvolvimento do negócio.

Healthtech para tudo e para todos

#CuboVerticais - O que é a Jornada do Paciente?

"Vamos lá, antes de tudo, a jornada do paciente não começa no momento da consulta, ao contrário do que muitos podem pensar", explicou Thiago. Essa jornada começa antes mesmo do agendamento da consulta, pois o paciente já está online procurando o melhor médico ou hospital para se consultar. Ela também continua após a consulta, quando o paciente precisa comprar seus medicamentos ou agendar seus exames. E essa jornada ainda é quase totalmente analógica!

Sendo assim, investir em exposição midiática, participar de ecossistemas digitais e eventos e estreitar relacionamento com provedores de tecnologias relacionadas a marketing faz parte do pacote. Isso auxilia na compreensão das necessidades do setor.

Por sua vez, atendimento humanizado, com foco em pessoas e não em processos, é o que diferencia organizações de saúde, algo que diz respeito também ao gerenciamento de ambientes. Logo, sistemas que otimizem, por exemplo, ações de profissionais de segurança do trabalho e até aquisição de insumos e afins vêm bem a calhar.

No mais, são diferenciais a implementação de programas direcionados a públicos específicos (como saúde da mulher, da família ou mental) e a adoção de soluções inovadoras de telemedicina

Resumindo, investidores estão "de olho" em healthtechs em inúmeras frentes de atuação, já que, de uma maneira ou de outra, todas dizem respeito ao dia a dia de equipes e de quem nelas decide confiar.


Oportunidades não faltam para healthtechs. (Fonte: Owen Beard/Unsplash/Reprodução)

Unidas, healthtechs são mais fortes

Pedras no caminho existem, isso é fato. Para que healthtechs se estabeleçam e garantam a confiança de investidores, devem considerar parcerias com startups de outras categorias e demais players de saúde. Assim, mostram que não estão sozinhas nessa parada e que são capazes de ajudar na superação de dores do setor com mais propriedade, a exemplo de dificuldade de acesso a serviços, coordenação de cuidado e sustentabilidade financeira.

Assim, o que deve as mover é propósito, segundo Thiago, pois essa direção auxilia na atração dos melhores talentos. "Trabalhar na Saúde é super desafiador por um lado; mas, por outro, gratificante. São poucos os setores que causam impacto direto nas pessoas como esse. Quando seu produto empodera médicos e melhora a vida de pacientes, isso é muito poderoso. Propósito na Saúde é um 'plus' que se tem e deve ser trabalhado", ele sugeriu.

Por fim, não é qualquer apoio que serve. Uma healthtech precisa saber escolher o investidor certo, educá-lo e entender, sem dúvida alguma, quem é o seu cliente. "Parcerias de negócio importam", pontuou Thiago. "O ideal é procurar aquelas que têm iniciativa de open innovation", ele falou. Na jornada do paciente, são healthtechs junto a outras que pavimentam o caminho do futuro. 

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Fonte: Terra.

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